segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Amigos fotógrafos e suas publicações recentes: Terceira postagem: a série "Fashion victim", de Adelaide Ivánova.

Conheci Adelaide Ivánova em 2003. O ano é meio lendário para os dois: Ivánova chegava a São Paulo, eu vivia meu ano de interstício estressante entre São Paulo e Berlim por problemas de visto. Dividimos teto n`O Sobrado, a casa na Vila Madalena que "mitologizamos", onde nos primeiros anos desta década que ora se encerra refugiaram-se, em pindaíba financeira e amorosa, em rodízio de divisão dos 4 quartos, jovens poetas, atores, cineastas, antropólogos em meio a teses de doutorado, e outras criaturas estranhíssimas. Fui um dos membros fundadores, morando ali por 8 meses em 2001, e depois por mais 10 meses em 2003. Ali escrevi muitos poemas do meu primeiro livro, Carta aos anfíbios (2005), quase todos os da segunda parte, por exemplo. Nessa segunda passagem, a sra. Adelaide Ivánova chegou de Recife e também se instalou n`O Sobrado. Ali organizei sua primeira exposição de fotos. Ela tinha 20 anos, eu tinha 25. Ali jorrava uma fonte de secreções corporais, álcool e outras invitations to Mr. Hyde, como gosto de dizer. Ali tivemos brigas, que podiam tanto girar em torno de pratos sujos como gritos de "desliga essa merda de som, não aguento mais ouvir Los Hermanos!". Deixo com vocês adivinhar quem gritava para quem esta última.

Esse ano, Ivánova veio à Alemanha e viveu alguns meses em Berlim, onde reatamos nossa amizade. Bebemos, suamos ao sol, dançamos até cair, e colaboramos em uma peça, sua instalação "100 Men", projeção sobre lençol que ela apresentou no evento que coorganizo às quartas-feiras, e para a qual preparei uma peça sonora cafona, irritante e divertidíssima. Juntos, almodovaricamos muito em Berlim.

Adelaide Ivánova postou na semana passada um novo slideshow com sua série "Fashion Victim" (2005 - 2008). Mostro-a a vocês aqui. Se Adelaide estivesse aqui, eu diria a ela "Ô mulher, ficou muito legal o slideshow, você sabe como gosto desta ironia que se emaranha entre a invectiva e a self-deprecation, de quem anda na corda bamba, sem saber onde termina a resistência e onde começa o colaboracionismo, aturando aqueles chatos que se julgam muito puros e fora do sistema e não sabem o risco que nós corremos como agentes duplos." É o que eu diria a Adelaide Ivánova se ela estivesse aqui, sobre seu sarcasmo com as It Girls, só por tantas delas serem tão descerebradas.

"Fashion Victim", a série. Adelaide Ivánova "veste" e "usa" Prada, Louis Vuitton, Lenny, Neon, Daslu e, em suas próprias palavras, "todas as vacas desocupadas que costumava fotografar."


adelaide ivánova's_the fashion victim series from adelaide ivánova on Vimeo.




Tenho alguns originais dela na minha minúscula coleção, e ela, obviamente, também figura na Hilda Magazine.

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